Google sem lucro direto na venda de cada Nexus 7

O tablet apresentado na conferência Google I/O’12 tem características boas e um preço reduzido. A empresa de Mountain View está consciente de que o dinheiro investido no dispositivo móvel não terá um retorno económico correspondente no momento da compra.

Um ecrã IPS com resolução HD e revestimento Gorilla Glass, um processador Tegra 3 de quatro núcleos e uma unidade de processamento gráfico de 12 núcleos, GPS e NFC. Estas são algumas das principais características que compõem o Nexus 7 e que por norma deveriam fazer disparar o preço do tablet. A Google preferiu manter o preço discreto para atrair a atenção dos consumidores e vai adotar uma estratégia parecida com a da Amazon – perder algum dinheiro no hardware vendido, para recuperar com a venda de aplicações, livros, músicas e filmes. O dispositivo móvel apresentado foi de facto feito a pensar na Play Store, a loja de conteúdos digitais da Google.

Numa aritmética simples, a Google vai «ganhar» 0 euros na venda de cada tablet Nexus, mas também não se sabe ao certo quanto perderá. O próprio Andy Rubin, chefe da divisão Android, reconhece que o Nexus 7 não é feito para a obtenção de lucros. Toda a campanha de marketing que estará relacionada com o lançamento da tabelete ficará por conta da gigante dos motores de busca, pelo que o custo total de cada unidade sofrerá um ligeiro aumento, significando ainda menores receitas diretas da venda do hardware.

Para contrabalançar este cenário teoricamente negativo, Rubin referiu numa entrevista ao site AllThingsD que possivelmente a venda do Nexus 7 será também feita em lojas de retalho eletrónico, não sendo um exclusivo da Play Store como muitos acreditavam. Inicialmente a loja virtual da Google será o ponto central de venda, mas conforme o tablet vá chegando a outros mercados talvez outros métodos de escoamento de produto tenham que ser adotados. No caso português por exemplo, a Play Store serve exclusivamente para a compra de aplicações, ou seja, os utilizadores não estão habituados a grandes compras através da loja googliana e muito menos a gastar 199 euros na compra de um só produto através do online.

Também a Asus reconhece a dificuldade em fazer parceria com a Google neste lançamento. Primeiro porque apenas tiveram quatro meses para construir o dispositivo móvel, depois porque a relação qualidade/preço foi um problema de equilíbrios económicos. “Os nossos engenheiros [da Asus] disseram-me que era tortura” relatou Jonney Shih, Chairman da empresa japonesa.

O rigor e esforço da Asus e Google pode ser recompensado com o despertar dos restantes fabricantes. Samsung, HTC, Lenovo e Acer terão que esforçar-se para tornar os seus tablets mais competitivos relativamente ao Nexus 7. O mais provável de acontecer será a queda de preços durante os próximos meses. Tablets mais antigos com processador dual-core e aqueles tablets de marca branca que nem sequer têm suporte total da Play Store, têm a vida ainda mais complicada.

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