Opinião: Dicas para Jogar em tempos de crise

Recentemente, numa conversa com um amigo, surgiu a questão de como conseguir manter um hobby de gaming saudável tendo em conta a crise que atravessa o país e que nos afeta a todos.

É inegável que os videojogos são produtos de luxo. Uma consola custa centenas de euros e um PC topo de gama dedicado ao gaming pode chegar aos milhares. Os jogos em si são produtos caros quando são lançados, com um preço que ronda os 70 euros para os novos lançamentos nas consolas, e os 50 euros para os jogos de computador. Mas nada disto é razão para pôr de parte o gaming, aparentemente supérfluo, que para alguns de nós é uma ferramenta essencial para nos abstrairmos por breves momentos dos problemas mundanos do dia-a-dia.

Considerem-se os preços que indiquei para novos lançamentos. Obviamente que esses mesmos preços variam consoante os jogos, mas na sua maioria, encontram-se dentro dos valores que referi. Este é apenas o preço de lançamento. Durante o tempo de vida útil do jogo, este será o preço que se mantém por menos tempo, mas é também aquele que dará mais lucro, visto que muitas pessoas compram o jogo logo quando é lançado. Mas a paciência compensa. Hoje em dia, o preço de um jogo geralmente desce cerca de 50 por cento nos primeiros três ou quatro meses após o seu lançamento.

Por isso não é difícil ocupar-nos com outros jogos nesses breves meses enquanto aguardamos a descida de preço. Afinal, na maior parte dos casos, esperámos anos pelo jogo, e uns poucos meses a mais não são tortura. Tendo em conta que a situação económica não está fácil para todos nós, é fácil coordenar com o nosso grupo de amigos a compra do jogo para uma altura em que se torne mais acessível. Mas isto é subjetivo. Há jogos que descem de preço menos de um mês após o lançamento, e há outros que anos depois ainda se mantêm no mesmo preço que tinham no início.

E claro, por vezes há jogos que são lançados em formato “Game of the Year” que oferecem imenso gameplay pelo preço. Os jogos da Bethesda como o Skyrim ou os recentes Fallout são exemplos disso, jogos lançados isoladamente a preços elevados e que, após algum tempo, são lançados em pacotes que incluem todo o conteúdo disponibilizado anteriormente e por metade do preço. Obviamente que é impossível olhar para o futuro e adivinhar quais serão os jogos que serão submetidos a este tratamento, mas para um novo jogador, convém dizer que geralmente é mais barato comprar o pacote “Game of the Year” do que comprar apenas o jogo base e depois comprar o DLC separadamente.

É também uma boa ideia pesquisar os serviços digitais de venda de jogos. Quer seja no PC através do Steam, ou nas consolas através dos serviços Xbox Live ou Playstation Network, as lojas digitais oferecem muitas vezes pacotes e descontos únicos que não estão acessíveis nas lojas físicas. O serviço Steam, da Valve, tem semanalmente os seus “deal of the week”, que oferece jogos com descontos até 75 por cento, muitas vezes incluindo o DLC desses mesmos jogos, ou pacotes de jogos clássicos por cinco ou dez euros. A biblioteca de jogos do Steam tem milhares de títulos a preços acessíveis, quer sejam lançamentos recentes ou clássicos para os mais nostálgicos.

O mesmo vê-se nas consolas. A Playstation Store tem descontos todas as semanas e jogos à venda a preços inferiores ao das lojas físicas. O serviço Playstation Plus, um upgrade da Playstation Store, tem um valor de subscrição de 50 euros por ano, mas em troca oferece descontos semanais exclusivos para os seus membros e jogos grátis enquanto a assinatura estiver ativa. E o Xbox Live Arcade tem centenas de jogos do mercado independente que custam meros cêntimos.

O mercado de jogos usados é outro ponto em que vale a pena investir. Disponível em algumas superfícies, este serviço possibilita «trocar» jogos que tenhamos na prateleira, por descontos na compra de jogos novos. É difícil conseguir fazer trocas de valor justo tendo em conta que os jogos antigos valem pouco dinheiro na troca e os jogos novos continuam a ser caros, por isso pode ser preciso trocar 5 jogos por apenas um (e se calhar ainda ter de pagar a diferença). Mas se são jogos que já não jogamos e em troca conseguimos aquele jogo que já não podemos esperar mais para jogar, então pode valer a pena. Depende de cada um.

O inverso também se verifica. Já por várias vezes fui trocar um jogo recente, e portanto, valioso, por dois ou três jogos mais antigos que não tive oportunidade de jogar quando foram originalmente lançados.

O gaming é efetivamente um hobby de luxo mas não tem de ser proibitivo. Seguindo estas dicas e estando atento às prateleiras e aos padrões da indústria, é fácil manter o nosso tempo de jogo ativo e saudável sem sacrificar nada em troca.

One thought on “Opinião: Dicas para Jogar em tempos de crise

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