Os governos europeus não estão a fazer o que deviam para melhorarem a segurança online, pondo toda a Europa em risco de sofrer um ciberataque. O alerta foi lançado pela Câmara dos Lordes, indicando que Bruxelas tem falhado na criação de defesas online que protejam a União Europeia.
Os países europeus estão cada vez mais dependentes da Internet para uma série de serviços - incluindo informação, comunicações e comércio - e a natureza global do mundo online significa que os diferentes governos do espaço da UE estão cada vez mais ligados entre si.
Apesar disso, o relatório apresentado pela Câmara dos Lordes sugere que as diferenças de segurança existentes entre os Estados-membros fazem com que todo o sistema fique vulnerável.
“O colapso dos ciber-sistemas num país pode contaminar os outros”, indicou ao “The Guardian” um dos membros da câmara alta do Parlamento britânico, Lorde Jopling, que pertence ao Lords European Union Committee.
“A ameaça pode vir de qualquer lado - incluindo de negócios individuais, serviços financeiros, infra-estruturas críticas e até dos governos... e nunca se fica a saber exactamente quem é o responsável, quem faz parte do problema”, indicou o mesmo responsável, que fez saber que o Reino Unido tem sistemas robustos para se defender dos ciberataques, mas que nem todos os países da UE tomam as mesmas iniciativas.
O deputado sublinhou o caso particular da Estónia, que foi alvo da acção de hackers, em 2007, que atacaram o sistema bancário e governamental do país. “Foi um ataque relativamente menor, mas as suas defensas eram efectivamente muito pobres - por isso o ataque teve um impacto muito grande”, disse.
O mesmo relatório sublinha as crescentes diferenças entre a UE e a NATO a nível de construção de barreiras de segurança. A NATO tem dedicado muitos esforços, nos últimos anos, a este aspecto, e tem feito muito mais do que a UE.
“Estamos exasperados com a falta de comunicação e cooperação entre a UE e a NATO em relação a este assunto”, indicou Lord Jopling, citado pelo “The Guardian”.
Mais poder à Enisa
O relatório fornece várias recomendações aos países europeus para que estes possam melhorar as suas condições de segurança online, incluindo um melhor treino dos seus profissionais e na criação de equipas de resposta rápida em situações de emergência, em caso de ciberataques.
O relatório sugere ainda que sejam atribuídos mais fundos à Enisa, a Agência das Redes Europeias e da Segurança Informativa. Este grupo, que tem a sua sede na Grécia, tem, desde 2004, a missão de melhorar a segurança online nos Estados-membros, mas opera com poucos recursos e tem um alcance limitado.
Aquilo que o relatório propõe é a articulação da Enisa com as polícias europeias e com os tribunais, a fim de se apertarem as leis de cibersegurança europeias.
Peritos de segurança online sugerem que o perigo de uma ameaça económica é muito real, especialmente quando organizações criminosas têm vindo a usar cada vez mais a Internet como forma de lançarem ataques.
Há três anos, foi revelado que uma operação levada a cabo por hackers que ficou conhecida por “Chuva de Titânio” - que os peritos acreditam ter estado ligada ao Exército chinês - conseguiu, com sucesso, aceder a redes governamentais europeias, nomeadamente a britânica e a alemã.
Público.